“Eu prefiro ser pleno a ser bom” Carl Jung

Eu acho que tá bem perto de fazer um mês que eu não tive mais nenhuma crise, nesse quase um mês eu experimentei de novo a sensação de prazer em estar sozinha e poder refletir sobre algumas coisas, o que é praticamente impossível com a depressão. Dentro desse espaço de tempo eu também experimentei ficar triste, somente triste, como um dos tantos sentimentos naturais e até saudáveis que acontecem de vez em quando, e no meio desse sentimento ainda coube espaço pra me sentir grata, por finalmente voltar a distinguir o que se passa aqui dentro. Fota

Um mês parece pouco, mas foi suficiente pra eu entender que meu refluxo estava diretamente ligado às coisas que eu não admitia pra mim. Passar a aceitar meus sentimentos e pensamentos, principalmente os que me assustavam, diminuiu minhas crises em 90%, sem exageros. Então, eu aprendi a viver intensamente qualquer um desses sentimentos, e não tentar fugir deles.

Entendi, com auxílio de um amigo, que às vezes só conversar com alguém, sobre qualquer coisa que me incomodava podia me fazer enxergar aspectos de uma perspectiva diferente e além do descarrego, perceber que o fato em questão não precisava tomar grandes proporções.

Eu lembrei que eu gosto de passar um tempo comigo, que a maior paixão da minha vida é estar comigo e ter a sorte de sentir o sol e o vento na minha pele, que isso faz eu me sentir mais viva do que qualquer outra coisa.

Eu voltei a sentir um prazer enorme em tocar violão e ouvir o som da minha própria voz, independente se minha afinação estava impecável ou não, eu reaprendi a canalizar o que eu sentia por meio da música, porque o que mais me assustava naquele estado depressivo era não sentir absolutamente nada por música.

Aprendi que não ter algo que eu queria muito, e ter um “não” ali no meio do caos que tava aqui dentro, foi um estímulo e tanto pra eu me mover e querer sair de onde eu estava. Despertou uma agressividade imensa em mim, que me deixou atônita sem ideia do que fazer e que no fim se transformou em força. Foi um movimento diferente de todas as outras pessoas, que me deu pela primeira vez vontade de verdade de me transformar e me melhorar.

Com isso eu entendi que às vezes as pessoas passam tão rápido por nós, e que é importante se apegar ao que elas nos ensinam e não a elas necessariamente, e que nem todo mundo vai agir como nós esperamos, e está tudo bem, sempre. Deixar as pessoas irem embora é tão importante, senão mais importante, quanto deixar que elas entrem na nossa vida.

Notei que eu passei tempo demais procurando formas de perdoar as pessoas que eu achava que deveria perdoar, quando na verdade, o trabalho que eu realmente deveria ter era perdoar a mim e somente isso. Praticar autoperdão me fez colocar a mim como responsável da minha realidade e deixar a responsabilidade do outro simplesmente ser dele.

Substitui os pensamentos sobre as pessoas que se afastaram de mim, pela satisfação de ter reconquistado amizades que a minha falha de comunicação havia deixado pra trás, com vários assuntos incabados e não resolvidos e descobri que eu poderia me orgulhar por ter me tornado um pouco mais humilde durante esses anos.

Comecei a sentir que o movimento de tudo acontece sempre de dentro pra fora, que cuidar dessa energia boa que hoje eu sinto bem no centro do peito todas as vezes que eu me trato bem, é essencial pra eu também tratar bem tudo aquilo que me cerca. Estar em paz comigo é condição fundamental pra estar em paz com o resto do mundo.

Tive que admitir pra mim, que embora eu diga o contrário, eu sempre tive uma necessidade enorme de agradar a todos, eu sempre desejei ser querida, especial e ainda é um processo me contentar com o fato de que eu não vou, eu não posso agradar todas as pessoas. Ainda é um processo aceitar que nem todo mundo quer me salvar, que nem todo mundo quer ser salvo por mim e eu acredito que isso tornará minhas relações mais saudáveis um dia.

Me lembrei de como é a sensação de não ter vontade de sair da cama de manhã, só por estar com sono e cansada e não por não sentir prazer por nada que eu faria durante o dia, agora é muito mais fácil acordar um pouco mais cedo, me alimentar bem e fazer exercício físico pra diminuir minha tensão sobre a expectativa de mais um dia.

Ficou muito mais fácil entender que a vida não é o “chegar lá”, o “ter sucesso”, “conseguir algo”, porque a vida não se faz da conclusão das coisas, mas sim de TODO O PROCESSO pra concluir algo. Todo o processo de manter alguma coisa viva, seja um relacionamento, seja uma profissão, seja academicamente. A vida se dá durante as tentativas de resolução dos problemas que surgem no meio do caminho. E dá sim pra ser grato por todos eles, quando a gente se permite enxergar cada aprendizado adquirido com eles.

Descobri que é assustador sentir que está no fundo do poço, que é extremamente difícil querer sair de lá, mas que, pelo menos, para mim foi essencial pra que eu pudesse me enxergar, pra que eu tivesse mais cuidado com o que eu realmente preciso, porque lá não existe amor por nada, não existe auxílio, não existe o externo, é uma situação onde olhar pra si mesmo se torna uma tarefa dolorosa e não sobra nada além da certeza de que você precisa recuperar teu amor próprio, que você precisa confiar em você mesmo, como num dos textos que eu mais gosto na vida que exprime que não importa o quão imenso seja o universo, não existe ninguém que vá te salvar de você mesmo!

Eu ainda tenho mil coisas que eu preciso trabalhar, que eu vou trabalhar em terapia, que aliás eu ainda nem sei como agradecer à minha psicóloga por tamanha generosidade que ela tem comigo, nada disso que eu escrevi aqui surgiu do dia pra noite e muita gente que leu a minha lista “que caralhos eu aprendi em 2017” no final do ano passado, vai achar que ambos foram escritos por pessoas diferentes. E eu também acho! Não sou perfeita, não estou livre de defeitos, mas estou aprendendo a enxergar tanto o que há de belo em mim, quanto o que eu não me orgulho tanto, como o maravilhoso Jung já diria “Eu prefiro ser pleno a ser bom”. E hoje eu quero ser inteira!

Thayná Borges
27-04-2018

 

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Tenebris Lux

A maior parte do silêncio é comunicação. O vazio é parte, e toda parte do vazio é repleta de conteúdo enigmático. Nunca tive fascínio no que era apresentado de tão bom grado que deixava a imaginação e criatividade postas de lado. Existe um quê de curiosidade em meu ser que tinha paciência em apreciar cada distância entre ignorância e paixão. Existia um quê de pureza em cada dote que me era herdado, e existia um grau de ruptura do mesmo cada vez que a realidade açoitava parte dos planos, dos sonhos, dos gostos e da carne viril que banhava meu corpo de saliva humana e pestes imateriais.

A morte era próxima demais para uma pauta sem inutilidade. Era demasiadamente carregada de sonhos, esperanças e finitude bárbara que circulava em espiral de contingente magnitude.

Escolhe uma morte e contente-se com ela. Escolha uma vida e aprecie cada chance de mudar de rumo. Persista em cada caminho que o coração clama em pulsão para ser traçado. E se descubra ainda vazio, ainda em medos infantis e persistência tardia de inúmeros desregramentos que insistem em enrijecer os pelos por toda alma. O apêndice de tua alma no corpo enrijece a crença de seriedade sobre o mundo material, até certo momento que é conhecida e reconhecida a maleabilidade e inconsistência do mesmo mundo.

Seja mundo, deus e sol de toda crença que cerca o invólucro de teu ego, mantendo a fé em todo desconhecido da humanidade que somaria à tua própria existência a certeza, evidência e essência.

Sopre o fogo como se banha o corpo na esperança de cessá-lo e encontre-se ainda inteiro, entre destroços do espaço, entre restos de pele, entre sangue esquecido nas vestes brancas. Clame pelo mínimo de amor que o mundo é capaz de fornecer e alimente o espírito, para enfim, esvaziá-lo em doses maiores de amor.

Insista, reflita, descubra e conheça-te a ti mesmo. E nada no mundo pode romper essa carga, esse peso de reconhecer teus próprios pecados e apropriação dessa energia emanada que retorna em altas doses de carma.

No fim, é só fim. Estagnação. Ruptura. Limbo. Conheça-te a ti mesmo e aceite teu próprio fim. Mortalidade é também humildade. Fim é conclusão. Aceitação. Todo anseio na morte parte de vida não vivida. A vida simples é vida ativa.

Thayná Lofiego

Dies Solis Mortis

Pés descalços cantam uma poesia entre concreto e poeira, carregam em direção à gravidade segredos que pendem durante anos entre esperança e desconforto. Já tive devaneios sobre um corpo que desejava minha reação no momento. Já quis meus pés em outro mundo, mesmo quando tudo se encaixava perfeitamente. E quando você dança tão próximo da morte, não existe mais medo do desencaixe, do irreal, da incerteza. Seus pés flutuam, seu peito pesa, seus olhos queimam e cada parte da sua cabeça é destruída em pequenas explosões que você não ouve, seus ouvidos ecoam o silêncio desconfortante da solidão. Minha dificuldade era ansiar demais teu contato, mas nunca me sentir digna; era querer resgatar na minha mente memórias que residiam no meu peito; tentar camuflar o simples com minhas mazelas falsas, fazendo discurso do belo, do simples e do perpétuo inócuo que nunca existiu em mim. O destino nunca foi um berço, era uma cama confortável que eu insistia em trocar os lençóis antes mesmo de aprender a ficar de pé. Eu caía dessa mesma cama milhares de vezes, me arrastava para longe, e sempre era puxada de volta. Espero encontrar novamente a morte, dançando, enquanto meus pés descalços cantam poesia no ar e na sua imensidão.

Voluptatum Cupio

meu corpo, minha casa, meu seguro, meu medo. eu sinto falo, freio, falo… sinto! um pedaço de carne entre minhas mãos, lábio entre meus lábios, encaixe perfeito, a abertura que entre minhas pernas causam calafrios, calor, suador, dor, desejo, prazer. insucesso frequente, lembrança de nada que se vê a olhos nus, a estrela quente que dos céus queima nossos pés, que me rodeia de sonhos e esperanças, perpetua mistério e certeza do vazio. eu ouço, calo, analiso… aplico valor ao primeiro abraço da manhã, ao último beijo com esperança de longos períodos sombrios de vazio. conto cada pegada de tinta das costas, braços, toco, com toque abro, olhos, mãos, dedos e alma. espero, rodeio, durmo. seis horas de sono inoportuno, paralisia do sono, cansaço do descanso. ouço, vejo, sinto. oro, rio. despidos corpo e alma, perdidos. desenhos, músicas, símbolos, os filmes que vivi não admitindo que se encaixando, como pernas que entre as minhas movimentam suave ternura, coragem, instinto, libido. sonho… um fio de lagrima que banha meu peito, um fio de cabelo que sustenta sonhos, outro que se aplica à vergonha, tesão e fissura acompanhados do receio. do toque mais singelo que despedaçada, cria, recria e destrói. instinto de vida que anseia morte. afundo, me ergo, construo o mundo, o reduzo a pó, construo castelos de areia, derrubo as paredes, com sopro, com socos, chutes singelos… a luz que me cerca, se esvai conforme morro.

Ego in itinere

Quem há de garantir que diante de todas essas projeções, não exista qualquer traço que me prenda à realidade? Essa linha tênue entre algo que nos faça tentar evitar a decepção e outra que crê piamente que é de fantasias que a realidade se faz… Tenho comprado todos os motivos baratos para desculpas esfarrapadas do meu receio em encarar o que eu escrevo. Eu entendia que havia um processo (sempre os processos), uma aceitação interna desse fluxo sensorial, de uma interpretação de vida única minha, e aceitação em tê-lo exposto diante dos meus olhos, ainda que eu mesmo tivesse escrito. Minha fantasia se faz de gestos desesperados pelo mundo, de risadas altas ecoando um conforto que abafava altas doses de verdade; altas doses de álcool a quem seriam encarregadas o prazer diante do desconforto, a segurança diante do sorriso frouxo… o tiro sai pela culatra. Tento tatear a mim no escuro e me perco, tento ouvir minha própria risada e a percebo tão distante quanto os anos que me marcaram, tento cortar pedaços de mim para me encaixar no molde mais perfeito, na silhueta mais completa e sangro. Sangro quando me culpo, quando me deito, quando anseio. Não sobra nada, até que eu abraço o pedaço de carne que me resta e o chamo de meu, amo principalmente minhas falhas e minhas faltas, amo cada vez que pintei fora dos contornos e encontrei novos caminhos, amo a construção que eu faço no mundo, no quanto ele cabe em mim e o quanto eu o modifico na minha essência. Talvez tentar recuperar partes adormecidas em mim, seja o seguir em frente que eu nunca busquei.

Thayná Lofiego

Liberi

Meus textos tem sido produto de associação livre. Pouco se salva do material poético que costumava alimentar meu anseio pela escrita. Eu aceito que seja uma fase. Eu aceito cada traço que eu desenho com as pontas dos dedos. Por que eu não aceito que o que eu vivo também é fase? De onde eu consigo extrair tanto medo? Eu já deixei de ter medo de estar só, e hoje só me cabe tristeza por me sentir só. Solidão pouco tem a ver com quantas pessoas te cercam, ou até mesmo com quantas se pode contar… solidão na verdade é não encontrar conforto dentro de si, buscar incessantemente qualquer matéria que preencha esse estado indescritível, e não encontrar. Solidão é buscar a mim mesmo em outros corpos, e projetar neles tudo que eu tenho de pior, exaltar meus defeitos, odiar a maior parte de quem me ergueu a mão, e me iludir com a ideia de que eu sigo por amor próprio. Eu ainda sou uma criança aprendendo a engatinhar nisso que chamam de vida. Eu acredito piamente que todos nós somos. É tão inato do ser humano ter ciclos felizes e tristes, um atrás do outro… essa semana, almoçando com um velho amigo, o mesmo chamou minha atenção quando por comentar que não estava se sentindo bem, disse calmamente “é assim mesmo, eu tive uma fase muito boa, que durou muito tempo, e agora vem a fase ruim”. Coisas boas acontecem o tempo todo, mas eu me afogo em tudo que há de negativo, eu não me permito equilibrar essas vivências.
Eu tenho contado pra qualquer pessoa que cruza meu caminho – algo que eu nunca fiz – que eu realmente sinto ter perdido uma grande amizade. Não há um segundo do meu dia que eu não queira cair em lágrimas por isso. Não há uma noite que eu não caia. Toda manhã existe esse vazio no meu peito. Se eu pudesse, de qualquer forma, ou em milhões de tentativas imagináveis de reduzi-lo, traduzi-lo ou significar esses anos de presença quase constante, eu traria do meu vocabulário quase extenso uma única, pequena, minúscula palavra. Paz. Eu nunca entendi se paz era ausência de qualquer sentimento ou todos eles juntos em equilíbrio. São como as cores. Preto quando parece ausência das cores, na realidade, acomoda todas. Era como sentir que eu estava mais intensamente viva do que nunca, ao mesmo tempo que o pânico quase me tomava, porque eu não sentia nada.
Eu vivo me perguntando se força seria ter esse nó na garganta me acompanhando diariamente enquanto eu continuo exercendo meus papéis com um sorriso que só existe no meu rosto. Força seria me deixar cair nos braços de qualquer amigo, confiar, deixar que ele me veja chorar como eu não costumo fazer? Força é continuar lutando por tudo que parece estar perdido, ou seria saber o momento exato de desistir daquilo que só te traz dor? Força é sinceridade ou omissão? Se eu respondesse que é uma junção de todas essas coisas, então não seria força, seria equilíbrio. E ao meu ver, equilíbrio tem muito mais a ver com leveza… A vida pra mim é sempre sobre tudo ou nada. Se eu começo eu vou até o fim. Se eu dito um fim eu quase nunca me permito voltar atrás. Eu deveria ser mais maleável? Até onde por mudar eu continuaria sendo eu? E se eu mudei demais todos esses anos, quem sou eu?

Thayná Lofiego

porque eu escrevi ouvindo:
https://www.youtube.com/watch?v=jfz-XDWPt-M

Every living creature on this earth dies alone

Onde está a sua verdade? Até onde ou até quando você pode sustentar uma promessa? Sua escolha hoje é consciente ou ofuscada? Amar alguém morre em quanto tempo? Ninguém é sincero o bastante a ponto de verbalizar e alertar que sua presença só durará o tempo necessário pra extrair exatamente o que precisa. Apesar que, uma vez uma pessoa me disse “não espere nada de mim”, e foi a coisa mais generosa que eu ouvi. Eu ainda não entendi minha geração, eu não sei o que elas dizem sobre amor, mas eu sempre fui a última a construir esse castelo. Eles estavam sempre tão preocupados em conceber isso rápido demais. No fim eles construíam amor como um castelo de areia, e quando eu estivesse pronta para contribuir com a construção, todo meu material era sólido demais, e a areia se dissipava na imensidão do mar. 

 Estar sozinha é, na realidade, muito menos pior do que estar envolta por uma veste emprestada. E eu já não me importo em dar adeus. Eu só tenho certeza que eu nunca mais volto, eu nunca procuro o mesmo castelo de areia, e eu sei que a solidez de tudo que eu criei me acompanha, ainda que eu não tenha um lar. É que essa praia é muito vazia, tão extensa, e eu ainda não tenho um lugar ao qual me fixar. Às vezes eu penso, que não importa. Eu sempre gostei de raridade. Todos esses muros de areia que caíram sobre minha cabeça, me assustaram, mas eu tenho aprendido a ter meu próprio corpo como lar. O Universo ainda me assusta, mas minha mente é meu melhor casulo. E eu sei que vai ficar tudo bem. 

 Eu já não tento ser compreendida, eu já nem tento devolver minha dor, eu sei que todo mundo que parte nem ao menos olha pra trás, e eu devo fazer o mesmo. A maioria nem percebe que está partindo. Mas eu tenho pra mim que algo aqui dentro, se difere do que eu vejo lá fora. Alguma coisa na minha sensibilidade, alguma coisa na minha coragem, dessa força que eu extraio da natureza, dessa esperança que nunca me abandona, nessa vontade de evoluir e me doar, alguma coisa nisso tudo ainda vai me levar além. E aí sim, sem rótulos, sem tempo, sem regras, a minha forma de amar vai ser reconhecida. 

 Se sentir especial pela forma como você foi capaz de amar alguém, está entre minhas melhores sensações. Eu ainda vou sentir muito essa falta de ter alguém do outro lado, mas hoje eu vou saber que todas essas palavras jamais se sustentariam. Não tem a ver com amor, com ilusão, com dor, não tem a ver com paixão. Ainda é mais sobre o tempo e as coisas que ele leva. Eu pediria ao tempo que me desse mais tempo. Eu pediria a ti um pouco mais de compaixão, mas existem coisas que não se pedem. Não se pede mais tempo ao tempo, e não se pede que amor seja algo real quando nunca se foi. 

 Eu coleciono a memória desses castelos de areia, eu observo o fascínio dos homens por ele, mas eu ainda busco, ao menos, um único cômodo de concreto. 

Thayná Lofiego